quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

IBEYI E A IMPORTÂNCIA DE SE ABRIR PARA O NOVO


Nos últimos meses. Quer dizer, chuto um pouco mais alto, no último ano explorei muito mais meus gostos artísticos. Seja na música, na arte, na moda, procurei sair da caixinha e conhecer melhor o que eu já gostava e coisas novas para gostar. Entre as descobertas musicais, muita coisa: desde artistas já consagrados, como Cartola e Chico Buarque, até artistas com projetos novos e experimentais, como Marian Hill (que eu já mostrei aqui no blog), e essa busca se intensificou nos últimos meses, quando me separei e entrei num processo de auto-conhecimento de quem eu era, sou e quero ser.


A descoberta mais recente (e que foi importante o bastante para me trazer de volta a este humilde bloguinho) foi a dupla Ibeyi. Quem me indicou foi a Romana, amiga querida do coração, quando falávamos de diversos assuntos. Ouvi uma única vez a música River e deixei pra lá, daí semanas depois decidi ouvir de novo e o canto suave e indescritível delas me pegou de jeito. Ibeyi é uma dupla de irmãs gêmeas franco-cubanas, Lisa-Kaindé e Naomi Diáz, que mistura referências do pop, jazz e batida eletrônica com cânticos iorubá (de origem africana). É muito bonita a forma que elas respeitam a descendência africana e a herança dos orixás, com uma musicalidade viciante e tocante.

Clica aqui e aproveita!


Para se apaixonar por elas, basta ouvir as músicas de peito aberto e perceber a complexidade musical de suas composições, ao mesmo tempo tão limpas e confortáveis de ouvir. Assim que elas me fisgaram senti vontade de compartilhar com todo mundo, para que mais pessoas pudessem apreciá-las. E aí vamos de encontro com a parte mais interessante desse processo: a importância de se abrir para o novo. 

Por muitos anos (MESMO) eu fiquei num limbo criativo/aspiracional em que eu não explorava coisas novas. Apesar de ter aprendido sim muitas coisas, a maior parte dos meus gostos foi formada pelos gostos de terceiros, ou então por influencias totalmente comuns, como o CD novo da minha banda favorita, ou então uma banda que todo mundo amava, menos eu por falta de conhecimento (Alou The Killers e Foo Fighters). O ponto é que eu me sentia limitada e rasa quando olhava para mim mesma consumindo sempre as mesmas coisas, da mesma forma, com a mesma expectativa. E aí aos poucos eu fui criando gosto por coisas novas, diferentes, desde as mais conceituais, às mais clássicas e tradicionais, como o samba raiz.

E foi nesse processo que eu descobri como todos temos potencial para uma profundidade cultural eclética se nos permitirmos. Eu vivo dizendo que meu gosto musical é uma anomalia porque ele de fato é, entra de tudo e tudo me toca de alguma forma, fiquei muito mais ligada nas sensações, nos momentos, do que no rótulo em si. Claro, não é novidade nenhuma tudo isso que estou escrevendo aqui, mas sei que tem um infinito de pessoas que ainda vivem dentro da caixinha, que possuem preconceitos sem fim (por exemplo, escutar Ibeyi que tem referências de religiões de matriz africana e evoca orixás em seus cânticos). E isso é um tipo de limitação que nós impomos a nós mesmos. “Se não for rock nem escuto”. “Funk? Blergh!”. “Sertanejo é muito ruim”. Sendo que cada estilo musical pode fazer sentido em algum momento da sua vida/dia e está tudo bem com isso.

A vida é curta demais para a gente ouvir todo dia a mesma coisa, concordam? Por isso, se abram e explorem o novo, tenho certeza que vocês vão descobrir muito sobre vocês mesmos e muito mais ainda sobre a vida.


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