quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

TCHAU 2016


Mudei.
Mudei várias vezes. Comecei o ano mudando, deixando para trás os longos cabelos que ostentei por dois anos. Cortei para doar e mudei. Me olhei no espelho por diversas vezes e não me reconheci e, no auge do meu incomodo, mudei mais uma vez. Vivi um turbilhão de mudanças intensas e vivas, como o próprio pulsar do universo. E cheguei até aqui.

Mais uma vez sento nos últimos dias do ano para olhar de camarote tudo o que passou e vejo o quanto mudei do começo do ano para cá. A vida tem dessas coisas, né? Mas abracei cada pequena mudança e segui.

Acho que o residual, aquela sensação fininha e aguda que a gente carrega pra sempre, é o que mais fica. Quanto aprendizado. Ainda ontem li no facebook de um conhecido: crescer, muitas vezes, significa se sentir sozinho.

Foi um ano difícil, um ano de muito autoconhecimento, esforço emocional, descontrole, surtos, medo. Mas acima de tudo, foi o ano que, pela primeira vez me coloquei em primeiro plano. Me tornei estrela principal da minha própria vida. Quem me vê falando assim deve pensar "nossa, mas que coisa mais óbvia", mas quem convive comigo de perto sabe: eu vivi a vida inteira colocando os outros sempre acima de mim.

Desse jeito eu fui abrindo mão de mim mesma, da minha raiva, da minha felicidade, me deixei levar. Olhando daqui, quase no finzinho do ano, nem eu consigo compreender porque eu sempre fiz isso. Talvez eu sentisse que devia, talvez eu achasse que para ser feliz bastava fazer com que as outras pessoas estivessem sempre bem, mas aprendi: não, eu não preciso fazer com que todos os outros estejam bem. Só eu mesmo.

E assim fui. Aprendi que a culpa e a raiva me consumiam de um jeito destrutivo. E que elas me impediam de fazer as coisas que eu tinha vontade, principalmente ser feliz. Aprendi que tudo bem sentir medo, desde que eu prossiga sem ficar travada por ele. E aprendi que tudo bem me colocar na prioridade algumas vezes. Na verdade, em todas elas.

Revisitei o significado de amizade, fortalecendo e sendo fortalecida por pessoas sólidas, amáveis, firmes, engraçadas e, acima de tudo, humanas. Que me olharam no olho e não julgaram, mediram ou condenaram. Fazia muito tempo que eu não me sentia acolhida. Mas, como disse no começo do texto, crescer é estar sozinho às vezes.

Foi o ano que mais fiquei sozinha em toda a minha vida. Diferente dos outros anos, que tinha pouquíssimas pessoas com quem contar, de fato, nesse ano eu pude escolher ficar sozinha e crescer a duras penas, também sozinha. Mesmo tendo muita gente por perto. Não é fácil ficar sozinha. Encarar a parede branca, o teto monótono, o silêncio. As contas, os seriados e filmes assistidos sozinha, o peso de uma vida inteira sem ter alguém para dividir o dia a dia.

Mas até nisso eu aprendi a ver beleza. Já que tudo isso faz parte da minha busca: busca pela minha essência, pela verdadeira Vivian, pela minha felicidade.

Se você me perguntar hoje, em pleno dia 28/12, se eu já encontrei respostas para todos os meus questionamentos, serei totalmente sincera. Não encontrei não. Mas me sinto cada vez mais no controle, cada vez mais perto de ser a pessoa que eu sempre quero ser. Olho para a Vivis do passado e vejo o quão controladora com tudo eu era. Apesar de ser bagunceira e desorganizada, sempre tive total controle de tudo que acontecia. Andava controlando, inclusive, o que ia acontecer. Me sentia confortável planejando absolutamente tudo.

Hoje não vejo mais que um palmo à frente do nariz. Tudo não passa de um grande borrão, com uma imagem turva, até mesmo dos meus sonhos. Mas sinto no coração a leveza de que, pela primeira vez, tudo bem não estar 100% no controle. 

A leveza de que, tudo bem, eu ser a pessoa mais importante da minha vida. E, principalmente, a beleza de que mudar é essencial para o crescimento. Por isso, para 2017, penso apenas:

Sigo mudando

(assim, sem ponto final mesmo)




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