sexta-feira, 5 de agosto de 2016

CARTA ABERTA ÀS MULHERES DA MINHA VIDA

ilustração de Januz Miralles
Meu bem, não se acaba com ditaduras, começando outras.

Quando você sentir que deve, e se sentir segura para tomar as suas decisões, tome-as.
Não deixe nunca que lhe digam os caminhos que deve seguir. Nem sempre devemos ouvir o que os outros têm a nos dizer e pouquíssimas vezes devemos nos importar com suas opiniões.

Vai e escolhe a cor da sua roupa e o tamanho da sua saia. Não ligue se disserem que você não deve, se você achar que deve, é o bastante. Quando quiser alisar seus cabelos, tingi-los, cacheá-los, raspá-los com a máquina zero, lembre-se: você é linda do jeito que escolher ser. Não tem problema não seguir o movimento.

Ah! Seguir o movimento...Você é tão mais incrível quando é independente! E não precisa se proclamar independente, nós duas sabemos que você é. Toda vez que se sentir desconfortável, reverta a situação. Você é boa demais para se sentir desconfortável dentro de si própria. Não tenha medo nunca de colocar suas insatisfações para fora, sejam elas com o outro, ou consigo própria.

Se olhe no espelho com olhos amorosos, tenha ternura a falar de si própria, você merece. Se aqueles quilinhos a mais estiverem te incomodando de verdade, sinta-se à vontade para escolher a melhor forma de perdê-los: dançando, correndo, lutando. Mas presta atenção: só se você sentir que é o momento, ok? Se você se ama e se aceita do jeito que você é, eu também te amo e te aceito do jeito que você é e vou te apoiar cegamente a seguir o caminho que escolher. 

Ninguém vai ter o direito de dizer que você está traindo o movimento, ou que você é menos mulher, ou que você é acomodada, ou qualquer coisa do gênero. Você tem o direito de ser como é, do jeito que escolher ser.

Mas também imploro, olhe para o lado com zelo. Dói quando vejo uma mulher tão incrível, julgando outra mulher tão incrível quanto, sem conhecer os detalhes de sua vida. Nós temos uma mania de competição tão idiota. E dessa mania surge a necessidade de julgar. Julgar a roupa, a noção de estilo, o cabelo, a maquiagem, a postura, o palavreado, o corpo.

E nós sempre julgamos com superioridade, já percebeu? Sempre achamos que somos melhores que nossos alvos. Depois de um tempo convivendo com mulheres tão incríveis e diversas, inclusive você, concluí: somos são maiores do que isso.

Já pensou que às vezes aquela roupa, que estamos achando horrorosa, faz aquela mina se sentir a pessoa mais excepcional do universo? (e que a noção de estilo dela deve ser respeitada?).

Já pensou que aquela mina admira quem passa pela transição capilar, mas que se sente mais feliz com o cabelo alisado e com luzes californianas? (e que isso não a faz menos mulher por não "se assumir" como é?).

Já pensou que aquela mina gorda é saudável pra caramba e ela se exercita para se sentir bem? (e não pra ser magra, como todo mundo espera?).

Já pensou que aquela mina negra sofreu racismo pra caramba e ela não precisa de mais o nosso racismo? (e sim de espaço para falar de suas lutas e oportunidades para crescer?).

Já pensou que aquela mina não é uma vadia por ir ao bar, balada, beber, curtir uma bagunça e se relacionar de forma casual? (e que ela tem o direito de ser assim enquanto sentir que deve ser assim?).

Tem tantas coisas que eu queria te dizer... Não me leve à mal, tá? Eu só queria te lembrar dessas pequenas coisas, que quando entramos no automático, esquecemos por completo! O que seria de nós, se não cuidarmos umas das outras, não é mesmo?

Toda vez que você se sentir pequena, vem aqui e lembra disso: Você é maravilhosa e livre para ser a mulher que bem entender ser. Não esquece, tá? 




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