quarta-feira, 14 de outubro de 2015

CIRANDA DO ÓDIO



Não há dia que passemos sem sermos testemunhas, vítimas ou disseminadores do ódio. Tudo virou motivo para um sentimento intenso e raivoso, quase irracional: posicionamento político, escolha religiosa, orientação sexual, gosto musical, o melhor restaurante.

Na era da libertação e aceitação vivemos a ciranda do ódio, onde todos dançam em círculos, pregando o bem, mas emanando o mal. 

Rolar a timeline do Facebook em dia de jogo ou depois do Jornal Nacional é batata: litros e mais litros de um sentimento venenoso sendo destilado a grosso modo, sem refinamento, preparo ou parcimônia. Se imagino o autor escrevendo a postagem, o vejo em minha cabeça, bradando aos pingos de cuspe sua supremacia inteligível. E não me parece nada amigável. Ser superior o tempo todo virou prioridade.

Vivemos a fase do ódio travestido de opinião, travestido de brincadeira, travestido de amor.

E nessa ciranda, todos vão deixando se aperceber quem são. Seja num olhar, num comentário, num xingamento. Confundindo os limites das relações e dizendo suas tolas opiniões aos ventos, sem a preocupação do que aquilo vai causar.

Confundimos a liberdade de expressão com a maldade diariamente e, por soberba, nos colocamos em situações que não podem ser desditas. Desfeitas. Desvividas.

Dessa ciranda eu não gosto de brincar. Nessa ciranda não quero mais dançar.


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...