segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

GRATIDÃO



Eu ia publicar uma retrospectiva inflamada, cheia de mágoa e ressentimentos por tudo que aconteceu em 2015. Achei que desferindo palavras, seria capaz de atingir, pelo menos um pouco, aqueles que tanto mal fizeram no ano que acaba.

Porém, nos 45 do segundo tempo, descobri que palavras inflamadas só revelam feridas abertas, e o que eu mais quero nesse momento é que elas cicatrizem e sumam de uma vez por todas. Graças a isso, resolvi jogar o outro texto fora e começar um novo, com outra perspectiva.

Um ano e um mês depois de me mudar para o apê, ainda não finalizei a cortina do segundo quarto, falta pendurar as argolas, uma a uma. Também faltam alguns detalhes no apartamento, como um armário no banheiro e vidros na sacada, mas minha casa se tornou mais minha, mais nossa, do Thiago e eu.

Encontrei no meu lar um templo de paz e descanso, onde me recuperei e recupero de todas as rasteiras que levei em 2015.

Entrei neste ano com uma perda. Meu chefe, líder, herói, seja lá o que for, deixou a agência para travar um novo desafio e me disse "Guria, não consigo te levar para trabalhar comigo, não agora, mas quero que tu fiques foda, que sejas a mais foda no que faz, para que um dia voltemos a trabalhar juntos, sendo os mais fodas juntos". Isso me marcou muito na virada dos anos, pois eu realmente coloquei isso na minha lista de objetivos para 2015: ser cada vez melhor. Porque eu seguiria ele aonde fosse.

Mas a vida é sacana e fode com a gente bem no meio do caminho, não é mesmo? Infelizmente, por um capricho, a minha vida profissional mudou por completo, afinal a pessoa que me colocava para cima e me fez brilhar, tinha ido embora e agora eu precisava reconstruir todo um trajeto que já estava definido.

Minha vida profissional em 2015 teve todas as reviravoltas dignas de uma novela mexicana. Ganhei uma nova chefe, que teve seu brilhantismo minado para a cliente por uma pessoa que nem estava mais entre nós. Depois de alguns meses comendo o pão que o diabo amassou, tive que mudar de chefe de novo e voltei para a equipe que fiz parte por quase um ano e meio e, apesar de todas as diferenças e desentendimentos que possam ter existido, consegui mostrar uma nova Vivian, melhor, mais comprometida, mais companheira ainda, que nunca deixava a peteca cair. Felizmente a vida também pega no colo e faz carinho na cabeça, por isso que o ano foi tão cheio de reviravoltas. Consegui me entender com a minha antiga-nova chefe e hoje vivemos em sintonia, sem meias verdades ou ironias. E isso me deixa feliz, pois nada funciona melhor para mim do que parcerias reais.

Talvez você esteja pensando que eu estive focada apenas na minha vida profissional em 2015, mas não! Acontece que as outras coisas fluíram tão bem, que não sinto o peso de uma vida pessoal ruim nas costas, ou de amizades desfeitas, ou de frustração por não ter feito algo.

Pelo contrário! 2015, o ano dos meus 25 anos, eu fui muito feliz fora da minha vida profissional! Eu voltei a estudar e me especializei em pesquisa de tendências, fiquei mais próxima ainda da minha mãe, ajudei meus sogros no que pude, tive ao meu lado a pessoa mais parceira, compreensiva e amiga que eu poderia ter, estreitei os laços com os amigos, comecei a entender de fato (e assumir) o que eu quero para a minha vida. Viajei para lugares incríveis, adotei uma gata e fui (e sou) muito agradecida pelos momentos bons. Só me lembro de coisas boas quando olho para a vida de 2015.

Mesmo que eu não tenha realizado meus três objetivos para o ano (ser mais saudável, aprender a dirigir e aprender inglês), realizei tantas outras coisas que não me cobro pelo que não fiz!

Agora, bem na reta do final do ano, mais uma grande reviravolta. Meu cliente, a quem atendi por quase dois anos, sempre com educação, respeito e muita dedicação, me deu uma grande rasteira: resolveu sair da agência, sem aviso prévio, concorrência, nem nada. E o pior: vai mudar para agência daquele cara que eu considerava meu herói.

Em alguns momentos fico completamente em paz e devolvo todo esse emaranhado de manipulação, com amor e gratidão, mas confesso que, no meio dos meus 25, ainda sou tomada por lapsos de instabilidade emocional, momentos turvos em que eu quero colocar dedos na cara, palavras na mesa, verdades na vida. 

Acho que esse vai e vem é o que está causando a minha dor de estômago há mais de uma semana, todo esse monte de sentimentos díspares aqui dentro, brigando para me consumir, está de alguma forma me afetando fisicamente. Mas mantenho firme a paz, o amor e gratidão, afinal é só isso que quero ter, então é só isso que posso oferecer, mesmo que para isso eu tenha que ficar alguns dias com a saúde debilitada. Luto para não ser consumida por sentimentos escuros, deixo eles para quem já se deixou invadir pela trevas e ruindade.

Me sinto esgotada neste momento, depois de tantos altos e baixos, mas no fundo, agradecida mesmo. Em 2015 vi o último show da minha banda favorita que acabou e não tive vergonha em chorar de emoção. Vi meu avozinho ser desacreditado pelos médicos por ter um coração grande demais e simplesmente se estabilizar e decidir continuar vivendo no auge dos seus 91 anos, vi minha mãe batalhando dia após dia, minha sogra se reinventar, minha gata crescer, minhas amigas seguindo seus objetivos e eu os apoiei, todos eles, até meu antigo herói. Apoiei cada decisão, apoiei cada novo objetivo, apoiei cada realização e perda, porque, descobri mais uma vez, que essa sou eu: a pessoa que está lá para torcer todos os dias, pelo bem, pelo sucesso, pelo amor, pelas conquistas daqueles que amo.

Então, mesmo que 2015 tenha sido o ano da rasteira na vida profissional, foi um ano de muita alegria em estar viva e querer curtir cada vez mais o tempo que tenho aqui na terra. 

Começo 2016 sem certeza alguma: não sei meu caminho na agência, o que vou fazer, não pensei nos objetivos para o ano, se vou ter emprego ou condições para dar seguimento aos estudos, mas, como no ano passado, me entrego de peito aberto.

E devolvo para todos aqueles que contribuíram para a rasteira um único sentimento: gratidão. Eu não era feliz atendendo o cliente que eu atendia desde o início do ano e mesmo fazendo o melhor trabalho que podia, pedia para que a vontade de Deus fosse feita, e se essa foi a vontade Dele, eu só posso agradecer.

2016, não espero nada de você, mas já agradeço por poder vive-lo.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...