terça-feira, 8 de dezembro de 2015

AUTOCONHECIMENTO


Nunca fui a mais bonita da turma. Na infância, a cabeça parecia muito maior do que deveria. Na adolescência, o cabelo desgrenhado e as calças largas não ajudavam muito. Não que eu quisesse afastar os garotos, muito pelo contrário. Mas mais do que querer a sua atenção, eu queria ser eu mesma.

Não usava maquiagem e minhas sobrancelhas eram grossas e sem desenho. E as olheiras então? Um pavor. Não usava brincos e minhas roupas não eram da moda. Eu usava até bermuda do uniforme para ficar na rua de casa. Ainda esses dias, vi uma menina de uns 12 anos com uma sobrancelha tão bem desenhada que eu fiquei me perguntando de onde partiu tanta vaidade.

Aos 12 anos eu ainda brincava de boneca, esconde esconde, escolinha.

Meus dentes sempre foram amarelados, não por falta de cuidado, acho que de genética mesmo. E agora estão piores por conta do café e coca-cola que tomo diariamente. Mas sempre tive sorriso largo e aberto, de quem está sempre disposta e receptiva.

Não tive muitos admiradores na época da escola, longe de mim, eu nunca fui a menina bonita da turma e, felizmente, isso nunca me perturbou, naquela época a minha aparência não importava mesmo.

Porém, mesmo não sendo a mais cuidada ou vaidosa, eu sempre fui parceira. Daquelas que atendiam amiga desesperada às 3 da manhã. Que dava o ombro e o coração para quem precisasse, sem saber que isso era altruísmo ou qualquer coisa do gênero. Eu também sempre me preocupei em mostrar para o mundo a minha personalidade, não sei em que momento que eu cheguei à conclusão de que eu precisava provar que tinha uma. 

Enquanto muitas meninas abanavam seus rabinhos e jogavam seus cabelos para os caras, eu conversava de igual para igual sobre futebol. Ou sobre política (mesmo na minha, então, limitada visão na época). Eu nunca quis me subjugar a eles, sempre quis andar lado a lado. 

Nunca me preocupei em parecer delicada ou indefesa. Por mais mirrada e fraca que eu fosse, peitava qualquer um se estivesse certa daquilo que estava falando.

É. Eu nunca fui a menina ideal da turma, que a mãe adora exibir para as colegas. Mas eu sempre tive coragem de ser eu mesma, seja quem eu fosse naquela época.

Olho para trás e vejo uma menina tão corajosa e sonhadora, que me cobro diariamente a não deixa-la morrer aqui dentro. A vida, não canso de dizer, é para quem tem coragem. E sonhos!


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