quarta-feira, 22 de julho de 2015

SE DESLIGAR





Dedos nervosos, só não mais rápidos que os olhos, correndo de um lado para o outro, da tela para o mundo.

Cabeça vazia, corpo quase inerte e uma tremenda sensação de que a vida pode ser mais.

Mais feliz, mais divertida, mais leve. Intensidade só é boa se for de sentimentos bons. O raciocínio afetado após horas de trabalho, mas lúcido como de criança sagaz, sem nunca parar de pensar nas soluções. Ou nos problemas? A cabeça já tão cansada que não é possível decidir qual dos dois é o foco da falta de sono: o problema ou a solução?

No que você está trabalhando afinal, cérebro?

Não tem como saber ou definir. O sono e o cansaço são grandes, mas a sensação de que não se pode dormir ou descansar não abandona. É preciso mais. Mais atenção, mais criatividade, mais empenho, mais dedicação. O corpo estremece com a rajada de vento gelado e com o calafrio que percorre a espinha dia após dia, apitando que tem algo errado com a vida.

De novo o zumbido no ouvido: ela pode ser mais.

A alma se debate, entre o querer e o poder. Inquieta, trabalha até mesmo quando o corpo já não aguenta mais ficar em pé. E quando desaba na cama, após horas de insônia, o que vem é o baque escuro e silencioso de um sono sem alegria, sem proveito, apenas para recarregar as baterias já arriadas com o tempo.

Mas é tão breve, que nem dessa forma as energias se renovam. É como se o corpo continuasse ligado, procurando uma saída. Porque a sensação de inquietação não se vai: a vida pode mesmo ser muito mais.


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