quinta-feira, 23 de abril de 2015

Diário da blogueira: Almoços Solitários


Uma das grandes vantagens de um almoço solitário, é a oportunidade de comer com calma, em silêncio e respirando. Obviamente que essa é a forma correta de almoçar em todos os dias, mas quem trabalha fora e almoça na rua, nem sempre tem essa experiência agradável.

Descobri há certo tempo que eu odiava almoçar sozinha. Por algum capricho do universo, passei algumas semanas me perguntando por que era tão ruim estar sozinha e me sentia mal por não estar com os outros.

Foi algo que nem eu mesma compreendia, afinal nenhuma daquelas companhias tinha um real significado. Eram somente companhias, sem profundidade ou intimidade, apenas colegas.

Descobri, então, que o que mais doía não era a solidão em si, mas o fato de não fazer parte do momento das outras pessoas. De não rir com suas risadas, de não me inteirar de suas fofocas, de não ter dito a minha parte naquele assunto.

Quando cheguei à essa conclusão, me senti tola e pequena. Que valor há em viver os momentos das outras pessoas? A gente vive tanto tempo tentando agradar os demais, que se perde quando se afasta.

E só se perde, porque confunde a própria personalidade com a dos outros.

Após dias nesse pensamento silencioso, passei a almoçar com pequenos grupos novamente, passei a ter novas conversas casuais, novos assuntos rasos. E me permiti não me envolver na maioria deles. Nestes momentos a gente aprende quais temas realmente precisam de nossa atenção.

Hoje, quando em alguns dias, acabo sozinha (por opção ou não) não me abalo mais. Não fico pensando nos assuntos do almoço de outras pessoas no qual eu não estou presente. Não me pego pensando se eu deveria ter acompanhado no momento do convite, ou então chateada pelo não-convite.

É uma segregação que não me atinge mais. Um dos mantras da minha vida é: quero estar com quem está comigo. Então me esforço para torna-lo real.

E, apesar dos almoços solitários serem mais silenciosos para as gargalhadas e fofocas dos colegas, ele se torna uma experiência muito mais sensorial e observatória, como notar qual música toca em som ambiente no shopping, ou os cheiros do restaurante escolhido, e até mesmo quem vem e quem passa, com pressa ou namorando aquela vitrine.

Às vezes a única voz que precisamos ouvir é a do nosso pensamento, mesmo em dias felizes. No final das contas, seremos nós que nos acompanharemos para o resto de nossas vidas. Precisamos estar em paz até quando faltar companhia.

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