sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Diário da Blogueira: Resoluções

não sabia que foto colocar, hahahahahahahaha
Eu sei, eu sei. Retrospectivas são cafonas. Eu também sei que no fundo, elas só significam algo para quem as escreveu, mas como isso já vem sendo um hábito há pelo menos cinco ou seis anos, acho que faz parte do meu dever continuar escrevendo.
Talvez a maioria passe por esse texto sem chegar no terceiro parágrafo, mas ainda que não leiam, terei um registro meu, para mim mesma, daqui mais um ano.

Ao contrário do que muitos pensam, essa retrospectiva não será sobre fatos da minha vida, afinal quase todos eles estão registrados aqui neste blog, mesmo que alguns tenham ficados entrelinhas. Acho que nesse ano eu não vivi dos fatos, acho que finalmente comecei a viver da essência deles.

Foi um ano difícil para a maioria das pessoas que conheço. Me esforçando assim, não consigo lembrar se em algum momento um vidente barrigudo e charlatão chegou a afirmar que seria um ano de urucubaca, ou se li em algum horóscopo que o negócio ia ser tenso, só me lembro, remotamente, que entrei em 2014 de peito aberto.

Acho que nenhum ano é fácil, assim, gratuitamente. A vida não é, porque algum ano seria mais ou menos fácil? Na verdade, acho que costumamos aumentar muito mais que devemos os momentos ruins, e deixamos os bons com pouco espaço nas memórias.

Seria absurdo eu dizer que estou mais madura, que balela, não acham? Mas, com toda certeza, aprendi uma porção de coisas.

Tipo que em algum momento é preciso abrir mão de quem a gente ama e dizer adeus. Pois ninguém vive para sempre, não fisicamente.

Aprendi a dividir melhor o joio do trigo na minha vida. Compreendi e finalmente comecei a aprender a separar amigos de colegas. E não estou falando daquele papo colegial sobre amizade, estou falando de uma concepção maior. De saber exatamente em quem posso confiar e desconfiar. Aprendi a ler em pequenos sinais quem era quem e como as pessoas podem mudar em questão de semanas. E não que isso seja um real problema, não! Eu só tenho conseguido, a cada dia, praticar o desapego com as atitudes que não partem de mim.

Aquela história de que seremos eternos responsáveis pelo que cativamos? Pois é, escolhi semear coisas boas. Não pensem que foi algo fácil, foram necessárias noites de olhos abertos pedindo para uma força superior que me tirasse os sentimentos ruins, trouxesse sabedoria, mantivesse sentimentos bons. Foram vários dias de um sentimento ruim e pesado tentando se apoderar de toda a minha vivacidade, tentando minar minha alegria.

Sabe, para falar sobre a essência que aprendi em 2014, preciso voltar dez anos da minha vida e falar sobre uma Vivian adolescente. Olhando assim, com essa distância, eu ainda estava bem longe de ser quem eu queria ser, vivia presa por atitudes de outras pessoas, mas era uma pessoa com o coração realmente bom e puro.

E não estou falando na pureza da santidade, estou falando da pureza de quem está o tempo inteiro de braços abertos. Que dizia para as amigas ligarem de madrugada, caso fosse preciso receber algum conselho (elas ligavam), que fazia trabalho voluntário, que queria sempre o bem das pessoas o tempo inteiro. Naquela época eu tinha muito menos do que hoje. Quase nada além da minha família. Mas eu tinha um coração que hoje eu sinto muita falta. Me tornei uma pessoa dura, calejada pela vida. E, por incrível que pareça, hoje estou perto de ser quem eu quero ser (ou não, como poderei saber?), tenho muitas coisas, como um nome, uma profissão, experiências (sapatos, porque não??), faço o que tenho vontade, mas sinto que o que eu mais quero hoje é ter aquele mesmo coração de quem está o tempo inteiro disposta a ajudar, a realizar, a mudar o mundo.

Bom, porque eu falei tudo isso? Acho que até eu acabei me perdendo um pouco, mas foi para dizer que em 2014 eu ainda não consegui ser essa pessoa, e talvez nem consiga um dia, mas já consegui ser uma pessoa melhor. Não para os outros, para mim mesma.

Eu não odeio quem eu sou, mas acho que podemos e devemos ser melhores. Às vezes estamos tão petrificados em nossos mundinhos que esquecemos de sorrir, de dar bom dia, de agradecer, de ser minimamente educados. E isso, meus caros, nunca foi minha intenção e nunca será, então meu exercício inconsciente desse ano foi tentar levar tudo com mais leveza.

Não serei hipócrita em dizer que não tive meus momentos, afinal essa sou eu, moça de 24 anos, estressada, agitada, com vontade de fazer tudo ao mesmo tempo, vivendo muito mais do que tinha imaginado para si. Tem vezes que a gente espana e nem percebe.

Mas aí vem a vida colocando pessoas no meu caminho que me fizeram, e fazem, lembrar desse objetivo maior, trazendo inspiração e motivação para não desligar o alerta.

Não sei dizer ao certo como meu ano foi. Tiveram coisas realmente boas, outras extremamente ruins. Prefiro deixar as experiências boas por cima, colocar as ruins em uma caixinha e esconder. Toda vez que tive sentimentos ruins tentando me minar, eu fiz isso. E deu certo.

E, no fundo, eu não estou olhando para 2014 com olhos de alguém que conquistou algo. Eu realmente tenho visto meu ano com a perspectiva diferente. Não preocupada em falar sobre a carreira, sobre o apartamento, sobre a família, sobre as pessoas, decepções. Isso tudo eu falo no dia a dia, isso tudo já me preocupa no dia a dia, por isso que acho que aprendi a viver a essência dos fatos.

Finalmente não olho para uma experiência, mas sim para o que ela causou em mim.
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