quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Crônicas de Guarda Roupa: A papete, o tênis iate, a calça flare

Todo dia na moda algo é resgatado. Hoje, resgatar modinhas dos anos 80 e 90 já virou uma modinha. Inclusive isso já veio em forma de novela temática na Globo, com a Boogie Oogie. A reinvenção da moda a cada estação é um fenômeno, as ideias se renovam, as referências vão cada vez mais distante e nem sempre as tendências são vanguardistas ou futurísticas.


Nas últimas semanas (aka, semanas de moda também), notei que os principais portais e blogs sobre o assunto pipocaram algumas das grandes promessas de street style para a próxima estação e uma delas veio com o nome de “Birkenstock”, ou chinelinho de velha, como você preferir. Aliás, já tem um que é MUST HAVE, o da Adidas.

Os chinelinhos de velha ganharam um nome poderoso e grifes hypadas, deixaram de ser algo  para ignorar, desprezar e odiar. Não sei aqui quantos vão se lembrar, mas essas mesmas sandálias “breguinhas” viveram o seu auge não muito tempo atrás, na verdade não tem nem dez anos que as Papetes foram febre, principalmente entre adolescentes e jovens que não tinham noção alguma de estilo, inclusive eu.

Usava-se a papete indiscriminadamente, com jeans, com vestido, no mercado, na escola, com meia nos dias de frio. E olhando assim, de longe e um pouquinho só mais madura eu compreendo o quão brega era. Mas hoje elas estão voltando e estão se renovando de uma maneira cool.

Outro sujeito que vem se renovando e dando as caras nos look do dia de milhares de blogueiras é o tênis iate, velho de guerra, que nossos pais usavam-na juventude. Os tênis que viraram parceiros de muitos skatistas por anos a fio até caírem finalmente no gosto dos fashionistas. Hoje ele recebe o nome americanizado que teve desde sempre, Slip On, mas diga para seus pais esse nome e eles não farão ideia do que você está falando, porém, se disser Iate, com certeza eles saberão na hora e vão te dizer o quanto gostavam dos tênis deles.

O mais interessante da moda é que ela se renova de forma cíclica e contínua. Hoje vivemos grandes febres que já foram sucesso um dia de forma bem frequente, já comecei a notar o uso das gargantilhas tribais (que na minha escola chamavam de coleira e toda menina descolada precisava ter), o magenta virou fúcsia, a calça boca de sino (que eu AMAVA e hoje nem tanto) se tornou a Flare, bem mais elegante e sofisticada (inclusive só vejo a Flare em looks hiper arrumados e bonitos, enquanto as boca de sino vinham em jeans e chegavam a ficar todas rasgadas de tanto arrastar no chão).

O grande ponto é que não podemos esquecer que já usamos todas essas coisas, que hoje são moda novamente, até cansar e que apesar de termos um dia achado que eram legais, também passamos a pensar e verbalizar o bendito “Meu Deus, como eu usei isso um dia?”. E em seguida? Usamos de novo, e de novo. Enquanto houve um tempo em que era preciso sempre quebrar alguma barreira, hoje se renovar é repetir as coisas do passado. Então é sempre bom fazer o exercício da memória e lembrar que acima de tudo, moda é expressão, beleza, atitude e personalidade.

E mesmo que batizem nossos queridos amores com outros nomes, eles voltaram e podemos usá-los novamente sem que ninguém possa nos julgar. Papete, Iate, Boca de Sino, vocês continuam os mesmos em meu coração!


Obs: apenas pochete continua pochete e elas continuam polêmicas, independente da moda.

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