segunda-feira, 9 de junho de 2014

Crônicas de Guarda Roupas: o luto



Quando te perdi, nutri por alguns dias a esperança de te encontrar. Pensei que tivesse se perdido por entre as caixas e que logo uma boa alma te devolveria para mim.

As boas almas tentaram, mas hoje você aquece e dá estilo para outra pessoa. Prefiro pensar isso do que cogitar que você virou um pano de chão. Talvez a pessoa que te encontrou tenha tido a maldade de não te devolver, de tão bonita que era.

Te usei até você quase caminhar sozinha. Você entrou na minha vida num desses meus ímpetos consumistas e mesmo com o preço salgado, virou meu xodó.

Você esteve ao meu lado nos últimos anos da faculdade e por muitas vezes foi meu único agasalho, nos dias que errava o look de inverno. Você me acompanhou nos estágios, no meu primeiro emprego como formada, nos meus passeios favoritos, me acompanhou até mesmo em importantes reuniões de trabalho.

A sorte foi que te aproveitei bastante, mas talvez teria muitas mais oportunidades e talvez ficasse muito mais popular, agora que o grunge virou tendência. Saiba que eu te amei mesmo quando o grunge não era tendência. Isso veio da minha veia skatista que nunca morreu.

Há quem pense que seja um exagero se despedir, mas ainda me pego pensando em maneiras de te encontrar. 

Agora me resta encontrar alguma jaqueta que tente compensar a sua falta. Mas fácil não é. Ou são curtas demais, ou são compridas demais. Ou o xadrez é comum demais, ou muito chamativo. Ou esquenta demais, ou não esquenta nada. É, acho que vai ser difícil!

Só quem tem um xodó desses entende a dor da perda! Só quem tem...

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