quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

E essas tão sublimes lembranças

Esses dias vi uma TAG sobre infância e agora pouco li mais um texto nostálgico que falava sobre a pré adolescência. Toda vez que me deparo com esses temas sou bombardeada por emoções nostálgicas e tenho as mais diversas lembranças.


Lembro de como eu era magra,caipira e cabeluda. Tinha vergonha de expor minhas opiniões (quanta diferença, não é mesmo?), falar o que eu pensava em voz alta. Era mais fácil ficar nas besteirinhas de criança. Ainda na terceira série eu já sabia o que era uma amiguinha interesseira: aquela que só andava comigo quando eu levava salgadinho para a escola. Eu sempre fui muito da sociável, de conversa fácil, contadora de histórias, afinal aprendi com um mineiro como contar uma boa história!

Eu nunca fui vaidosa. Ou até mesmo feminina. E olha que cresci brincando de bonecas. Gostava de brincar com todos, independente do sexo, mas odiava aquelas brincadeirinhas bobas de menino e menina, pois, como já disse, eu era caipira. Um pouco mais velha eu comecei a entender esse negócio de paixão platônica, mas eu era feia, cabeluda despenteada, com profundas olheiras de família e olhos de cachorro pidão.

Nenhum menino gostava de mim. Pelo menos eu não sabia. Mas eu passava o intervalo (pois depois da 5ª série o "recreio" deixou de chamar "recreio") com as amigas que achei que seriam para a vida inteira, rindo de tudo que acontecia. E olha que acontecia bastante coisa. Lá pelos meados da sétima série eu comecei a me soltar um pouco mais, ser rebelde sem causa, usando lápis preto e camiseta de banda escondida da minha mãe, conservadora como sempre. Eu queria ser diferente das demais, ter algo que elas aparentavam não ter: cérebro. A verdade é que elas eram bonitas e queridas por todos por serem bonitas e eu? Eu era somente eu.

Na oitava série me apaixonei de verdade por um menino de cabelos enroladinhos e hoje eu entendi que ele se apaixonou por mim também, mas eu não acreditava, digamos que foram muitas paixões não correspondidas no currículo. E foi dele de quem eu gostei por alguns anos. Acho que se eu fechar bem os olhos posso até lembrar como eu me sentia perto dele. Mas fiquei pouco tempo com ele, de novo: medo da mãe.

O colegial para mim foi o paraíso. Eu era um perfeito moleque, só que eu tinha muitos amigos, conhecia todos na escola (acho que o termo "popular" é brega, eu só conhecia e me dava bem com todos que eu sentava para conversar, lembrem: contadora de história), mesmo andando de skate e vivendo despenteada eu tinha lá o meu carisma e vivia escutando coisas como "nossa, achava que você era chata" ou então de como eu vivia com todo mundo. Jogava handbol, cantava com os amigos no intervalo, tive pequenos amores (eu ainda pensava no menino de cabelos enrolados e que agora talvez ele nem gostasse mais de mim), tinha melhores amigas. Eu vivia intensamente, ainda com medo da mãe, mas intensamente. Alguns meninos até me achavam bonita!

E aí, tudo acabou e eu entrei para a vida semi-adulta (já que entrei na facu com 17 anos).

Hoje, quando sou atacada por lembranças tão sublimes, penso que foi a melhor época da minha vida. E sabe, eu sei que sofri muito na adolescência e infância. Mas hoje eu só consigo lembrar de como era bom. Talvez daqui mais dez, ou quinze anos, eu seja atacada pelas memórias da juventude. De como eu ia para o bar numa sexta feira de muito estresse e saía trançando as pernas acompanhada do meu namorado, de como eu cantava no karaokê com os amigos, de como as experiências de "primeira viagem" no trabalho foram mais divertidas do que constrangedoras, de como os chefes na verdade nem eram tão ruins assim (tirando minha chefe de hoje ♥).

Talvez eu pense no que eu estou vivendo hoje e ache tão sublime quanto eu considero a memória de quando eu dei meu primeiro beijo naquele menino de cabelos enroladinhos.
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